“Eles são assim. Eles brigam, eles discutem e todos os dias se odeiam um pouco mais. Eles se zangam pelos motivos mais bobos capazes de entrar na cabeça de um ser humano, e deixam de comunicar, porque o orgulho coloca uma parede entre eles, esse maldito orgulho. E assim ficam, felizes por sinal. E nem um passo dão ao encontro um do outro. Porque eles sempre falam ‘então, se ele quiser, ele que venha’. E vão aguentando e guardando bem escondida a vontade imensa que tem de se amar, de correr para os braços um do outro quando fazem uma simples troca de olhares. Mas em vez disso, eles logo reviram os olhos e seguem o seu caminho, longe um do outro, quando partilham a vontade de seguir juntos, na mesma direção. Mas sempre chega aquele momento em que cansa, não é? Sempre chega aquele momento em que não dá pra esconder mais, não é? Em que não dá pra tentar apagar o que está gravado dentro no peito, aquilo que nenhuma borracha conseguirá eliminar, não é? E aí, os seus frágeis corações lhes sussurram pela milésima vez, bem baixinho pra que mais ninguém ouça e todo esse plano de parecer feliz um sem outro vá por água abaixo “vais mesmo deixar fugir aquilo que mais te faz feliz?”. E finalmente, eles ouvem. Eles decidem dar descanso ao coração, e a si mesmos. E eles voltam, eles se reconciliam, eles se amam, como sempre se amaram e continuarão a amar. E eles sempre vão ser assim, porque eles não conhecem aquele amor em que tudo está bem todo o tempo, em que as coisas boas sempre duram. É, eles não conhecem, mas sabes? Eles não querem conhecer. Porque eles, eles é que sabem de si.”
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